Já não fazem mais estudantes como antigamente
Antigamente, ou pelo menos na minha época de infância, quando um professor passava um trabalho, os alunos o faziam logo, independente da data de entrega. A vontade de ser o primeiro a acabá-lo para entregá-lo – especialmente quando se fazia parte de um grupo no qual todos colaboravam –, funcionava como um motor que os incentivavam a estudar. Tinham lá suas vantagens antecipar os deveres: se poderia, por exemplo, pedir ao professor que fizesse uma revisão, pois se houvesse qualquer coisa errada, daria tempo de corrigir e, assim, garantir uma boa nota. E se tivesse tudo OK, bastava entregá-lo para se livrar logo. É um risco deixar tudo para a última hora! Ainda mais quando se faz exercícios de várias matérias.
Mas, o tempo evolui. E certas coisas ao invés de melhorarem, pioram... Já não fazem mais estudantes como antigamente! Hoje em dia, o que mais se vê é aluno relaxado, que deixa pra começar a fazer o trabalho na véspera de entregá-lo. Considerando que, muitas vezes, o mesmo já foi passado há mais de um mês.
Muitas crianças com nove anos já sabiam ler e escrever muito bem. Agora, se observa vários adolescentes na faixa dos 14, que ainda gaguejam na hora de ler palavras dissílabas. Com a internet, então, aí é que o assassinato à Língua Portuguesa piorou de vez: nessa mania de resumir tudo, enquanto se conversa nos chats, não tem essa de colocar acentos, pontos, vírgulas, por exemplo.
Antigamente, o professor era um pouquinho mais respeitado. Hoje, certos estudantes – principalmente se forem de “comunidades” (sem preconceito) – o ameaçam, dizendo que vão chamar um parente que é bandido, chefe do tráfico e por aí vai... Sem contar os arranca-rabos entre professor e aluno, o que é vergonhoso!
Na minha época, Você tinha que se contentar a estudar para poder crescer na vida, arranjar um emprego melhor e aproveitar a oportunidade que seus pais não tiveram, quando tinham a sua idade. Pelo menos é o que geralmente se escuta. Hoje em dia, jovens recebem um kit incentivo, para irem à escola... E ainda, assim, não aproveitam! Quando eu era pequeno, não tinha essa coisa de RioCard, não! Você tinha que depender da boa vontade do motorista, para que parasse no ponto, abrisse a porta e te deixasse entrar. Também não havia Bolsa Escola ou qualquer outro auxílio que subornasse alguém a estudar. Os livros e o uniforme, seus pais tinham que comprá-los, e custavam muito caro. Atualmente, ambos são cedidos gratuitamente pelo governo. Eu era um dos melhores alunos da turma, quiçá do colégio. Mesmo assim nunca fui premiado com um computador ou qualquer outra coisa que reconhecesse o meu esforço. Agora tem isso de dar laptops a alunos nota 10.
Houve um tempo, que alguns colégios tiveram que se rebaixar ao nível de seus alunos, alterando suas formas de avaliação. Esse teria sido um jeito fácil de levantá-los sem que precisassem fazer esforço. É como andar de elevador: Você entra, diz ao ascensorista o andar que quer ir e este faz todo o resto. “Plim”, esse é o barulho que faz, pra avisar que já chegou!
Sou de uma geração em que os estudantes tinham que fazer pesquisas em bibliotecas, tirar cópias de livros para ler e fazer resumos do que tinham entendido. A garotada de hoje é da geração “Wikipédia”: costuma pesquisar tudo unicamente nesse site, dá CONTROL + C e CONTROL + V nos textos, os imprime e entrega às professoras. Cadê o resumo e a interpretação textual? Talvez, seja por isso que muitos não saibam fazer uma boa redação!
Fico me perguntando se realmente esses jovens de agora têm moleza demais, ou se fui eu quem nasceu na época errada.
Em todas as escolas, não importa a idade e o lugar, sempre vai existir alunos que gostam e os que detestam estudar. Isso não é coisa de agora! O texto em questão não é nenhuma generalização, mas denota algo que já se tornou banal, comum ou simplesmente cotidiano.



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