sábado, 4 de julho de 2009

Os Negócios do Amor – Capítulo 1

Os românticos costumam dizer que o amor é um sentimento divino, gratuito e um dom do ser humano. É o que existe de mais belo na alma ou que faz aparentar uma beleza diante de tantas coisas feias que o indivíduo esconde em seus pensamentos. Dizem também que o amor é um direito de todos e por isso, ninguém é capaz de impedi-lo, somente para tirá-lo para si próprio, através da paixão de uma pessoa por outra.


 


Não é o que sempre se vê por aí. A história conta e continua contando que, existem várias sociedades que não vêem o amor como um sentimento involuntário, mas como algo a ser conquistado com o tempo. Dependendo do ponto de vista, se pode estar certo, no entanto, a paixão que uma pessoa é capaz de sentir por outra não vem da vontade de querer ou não se apaixonar por esta ou aquela pessoa, mas de um sentimento misterioso de admiração por quem nem sempre se conhece ou se compreende. É por isso que se chama amor: se ama até as coisas mais feias que um ser faz, porque este feitiço induz a ver beleza onde não há ou somente se compreende que é algo normal do ser humano e que não tem como mudar isso.


 


Como eu disse, nem todas as sociedades encaram o amor da maneira escrita acima, mas sim como um negócio ou um acordo comercial, ou seja, do mesmo modo como se compra e vende uma mercadoria. Parece mentira o que digo, mas também uma crítica, apesar de eu não ter nada a ver com isso. Muitos também não apreciam a maneira como o seu povo encara o comércio do amor, mas se alguém criticar este tipo de sistema estará desafiando um tigre que não permite que o seu estilo de vida seja questionado.


 


Também não é meu objetivo ficar citando que povos transformam o casamento numa prestação de serviço ou em um produto de benefícios materiais, até porque, é preciso respeitar o direito pelo qual cada um escolhe e segue a vida. Existem famílias que já escolhem o amor de seus filhos, antes mesmo de nascerem, tentando escrever a história antes que o destino o faça, ou então, quando são ainda pequenos e por isso, não têm poder pra dizer “sim” ou “não” a respeito das decisões que vão alegrar mais os pais do que a eles mesmos.


 


Não há como mandar no coração. É ele quem comanda as atitudes de um homem e uma mulher. Porém, estes tipos de povos acreditam que o amor vem com o tempo, sendo possível adquiri-lo depois do casamento.


 


Mas, por que o matrimônio se torna um negócio? A razão é muito simples, embora eu não devesse questionar e apenas respeitar e tentar entendê-la: o fato da família da noiva oferecer um dote ao pai do noivo deveria ser considerado um negócio muito lucrativo: é o pai pagando pra um homem se casar com a filha dele, como se quisesse se livrar logo dela, ou então, que ela não é capaz de conseguir um noivo pelas qualidades que possui. O pior de tudo é que a mulher está pagando pra ser empregada do marido! É o que parece, embora existam outros motivos, como as heranças culturais. E, se depois do casamento o marido decidisse matar a mulher ou tramar uma traição pra ela, somente pra se livrar dela, sem devolver o dinheiro que ganhou por causa do negócio?


 


Qualquer família deseja que seu filho ou filha se case com alguém de bom caráter, que saiba amá-lo(a) e respeitá-lo(a). Para os filhos, os pais querem que eles tenham uma mulher que saiba cozinhar e arrumar a casa, enquanto que para as filhas, eles querem que elas consigam um marido que possa dá-las tudo o que precisarem, como conforto e bem-estar social.


 


Mas, como dizer “não” às regras impostas a essas sociedades por sua própria gente, caso alguém decida não aceitar quem os pais escolheram para uma vida inteira? É certo dizer que esta pessoa será considerada uma rebelde, uma pecadora e muitos outros nomes ruins, simplesmente por querer traçar o próprio caminho, ao invés de seguir o mesmo que os demais, como uma manada de elefantes o de qualquer outro animal que anda em grupo. Talvez, isso seja uma das razões para que várias mulheres tentem cometer suicídio, já que os pais não conseguiram convencê-las durante a juventude a aceitar um destino que não foi escrito pelas mãos de Deus e tampouco pelas próprias, mas pelas letras e leis dos homens que teriam todas as chances de mudar uma realidade para melhor.


 


Esses tipos de acordos comerciais já existiam desde que o homem descobriu uma forma de ganhar mais dinheiro ou manter o que tem, com os casamentos inventados para não dividir a herança de uma família com outra, ou no caso de algum príncipe, rei ou outro nobre que precise herdar um reino ou continuar no que já tinha. A história nos conta isso claramente, como por exemplo, a união entre Cleópatra (rainha do Egito) e o irmão dela, com um único propósito: concentrar nas mãos o poder de sua dinastia. Este foi um caso que eu pude recordar, porque a história está cheia disso.


 


O mais surpreendente nessas histórias de amor por uma coroa é o fato de os nobres se casarem muito cedo, com idade aproximada entre 12 a 15 anos, como é o caso da rainha egípcia ou de Carlota Joaquina (princesa da Espanha entre os séculos XVIII e XIX) que foi obrigada a se casar aos 10 anos de idade com o príncipe português, João VI, tendo sua juventude roubada com os deveres de uma vida adulta.


 


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