Pobreza: sinônimo de audiência
Você liga a TV e não tem nada o que presta para assistir. Muda-se de canal, e a mesma coisa: a pobreza alheia sendo exposta como ferramenta de manipulação para aumentar a audiência. É o sensacionalismo transformando a dor em entretenimento. Lágrimas e um sentimento de compensação por desejos frustrados tomam conta do telespectador.
As histórias são bem semelhantes: pai desempregado com o aluguel atrasado ou então, uma família que saiu do nordeste para tentar a vida na “cidade grande”, mas não teve sorte e também não conseguiu voltar pra casa. Certos programas até dão brindes como forma de “ajudar”, e assim “pagar” pelo uso exagerado da imagem de um indivíduo.
Em outra televisora, por exemplo, promete-se transformar uma bruxa em princesa, ou simplesmente fazer o patinho feio virar cisne. A pessoa premiada recebe o tratamento milagroso de algum cabeleireiro, um “banho de loja” e uma cesta com tintas, cremes e outros produtos de beleza caros. A diferença em relação à Cinderela, é que a magia da TV vai durar um pouco mais da meia-noite. Mas, no fim, volta a ser gata borralheira de sempre, pois nem todo mundo tem dinheiro para custear tais luxos.
Tem canal que o artista fica “batendo boca” com o convidado. É um verdadeiro barraco na televisão. Pra virar briga na feira só falta a laranjada! Tem até apresentador que fica xingando ou dançando, enquanto narra uma notícia! Será que ele está animando o programa ou zombando do público?
Têm emissoras que exibem pessoas “confinadas” numa casa em troca de dinheiro. As briguinhas e o sexo são os principais apelos de audiência. Nunca o humano ficou tão exposto e procurado. Parece que é legal ver que Você não é tão diferente dos que estão lá dentro.
Depois dizem que a TV influencia negativamente o telespectador. Contudo, é preciso lembrar que o canal também é influenciado pelo seu público, pois à medida que tais programações conseguem audiência, isto dá um sinal de aprovação para que continue exibindo-as. Sem querer jogar merda no ventilador, mas já jogando, creio que seja possível definir o nível cultural de um povo pelas coisas que assiste. Enfim, gosto não se discute, e é preciso respeitá-lo.
Pobreza é uma palavra que machuca... Lá na alma. Se esta tivesse um “saco” a dor seria lá mesmo. A imagem que se faz a isso é sempre daquelas crianças magrelinhas e barrigudas que passam uma fome danada. Muitas vezes, se fala que é de “classe média-baixa”. Repare que, quem veio de “baixo” nunca diz que foi de “família pobre”, mas de “humilde” ou “simples”, o que não significa nada: tem pobre muito mais metido que um rico, por exemplo, que ‘come sardinha e quer arrotar caviar’.
Todo ex-pobre faz questão de esconder o passado, mas quando se trata de política esforça-se ao máximo em demonstrar o contrário. As pessoas acham lindo e valorizam essa coisa de se apegar às raízes, de dizer que o dinheiro não mudou o caráter, e por aí vai...
O truque é velho (do tempo em que minha tataravó já “pulava a cerca”), mas ainda é um ótimo marketing: abraçar e beijar criancinhas de favela para conquistar o eleitorado e arrancar votos. Uma das provas é que quem gosta de comício é político e pobre, pois estão sempre lotados. Já reparou que, quando passa algum carro com candidatos famosos fica aquela gente correndo, doida pra apertar a mão do indivíduo e pegar um panfletinho?
Tem uma expressão que é muito engraçada: ‘os pobres de espírito herdarão o reino dos Céus’. Se não fosse bíblica, diria que foi algum líder religioso que a escreveu para poder sugar até o último centavo dos fiéis e iludi-los para que não se sentissem menosprezados por “Deus”. Todo mundo sabe que ninguém gosta de ser pobre, e se o é, com certeza foi por falta de opção. Dita frase confunde muita gente, pois a alusão que se faz à “pobreza de espírito” é a de alguém mesquinho, idiota e de mal com a vida.
Pobreza também passou a caminhar junto com limpeza, pois tem muita gente que adora dizer que ‘é pobre, mas limpinha’.
Pobreza só não dá lucro ao pobre, mas é sinônimo de audiência para os ricos.
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As histórias são bem semelhantes: pai desempregado com o aluguel atrasado ou então, uma família que saiu do nordeste para tentar a vida na “cidade grande”, mas não teve sorte e também não conseguiu voltar pra casa. Certos programas até dão brindes como forma de “ajudar”, e assim “pagar” pelo uso exagerado da imagem de um indivíduo.
Em outra televisora, por exemplo, promete-se transformar uma bruxa em princesa, ou simplesmente fazer o patinho feio virar cisne. A pessoa premiada recebe o tratamento milagroso de algum cabeleireiro, um “banho de loja” e uma cesta com tintas, cremes e outros produtos de beleza caros. A diferença em relação à Cinderela, é que a magia da TV vai durar um pouco mais da meia-noite. Mas, no fim, volta a ser gata borralheira de sempre, pois nem todo mundo tem dinheiro para custear tais luxos.
Tem canal que o artista fica “batendo boca” com o convidado. É um verdadeiro barraco na televisão. Pra virar briga na feira só falta a laranjada! Tem até apresentador que fica xingando ou dançando, enquanto narra uma notícia! Será que ele está animando o programa ou zombando do público?
Têm emissoras que exibem pessoas “confinadas” numa casa em troca de dinheiro. As briguinhas e o sexo são os principais apelos de audiência. Nunca o humano ficou tão exposto e procurado. Parece que é legal ver que Você não é tão diferente dos que estão lá dentro.
Depois dizem que a TV influencia negativamente o telespectador. Contudo, é preciso lembrar que o canal também é influenciado pelo seu público, pois à medida que tais programações conseguem audiência, isto dá um sinal de aprovação para que continue exibindo-as. Sem querer jogar merda no ventilador, mas já jogando, creio que seja possível definir o nível cultural de um povo pelas coisas que assiste. Enfim, gosto não se discute, e é preciso respeitá-lo.
Pobreza é uma palavra que machuca... Lá na alma. Se esta tivesse um “saco” a dor seria lá mesmo. A imagem que se faz a isso é sempre daquelas crianças magrelinhas e barrigudas que passam uma fome danada. Muitas vezes, se fala que é de “classe média-baixa”. Repare que, quem veio de “baixo” nunca diz que foi de “família pobre”, mas de “humilde” ou “simples”, o que não significa nada: tem pobre muito mais metido que um rico, por exemplo, que ‘come sardinha e quer arrotar caviar’.
Todo ex-pobre faz questão de esconder o passado, mas quando se trata de política esforça-se ao máximo em demonstrar o contrário. As pessoas acham lindo e valorizam essa coisa de se apegar às raízes, de dizer que o dinheiro não mudou o caráter, e por aí vai...
O truque é velho (do tempo em que minha tataravó já “pulava a cerca”), mas ainda é um ótimo marketing: abraçar e beijar criancinhas de favela para conquistar o eleitorado e arrancar votos. Uma das provas é que quem gosta de comício é político e pobre, pois estão sempre lotados. Já reparou que, quando passa algum carro com candidatos famosos fica aquela gente correndo, doida pra apertar a mão do indivíduo e pegar um panfletinho?
Tem uma expressão que é muito engraçada: ‘os pobres de espírito herdarão o reino dos Céus’. Se não fosse bíblica, diria que foi algum líder religioso que a escreveu para poder sugar até o último centavo dos fiéis e iludi-los para que não se sentissem menosprezados por “Deus”. Todo mundo sabe que ninguém gosta de ser pobre, e se o é, com certeza foi por falta de opção. Dita frase confunde muita gente, pois a alusão que se faz à “pobreza de espírito” é a de alguém mesquinho, idiota e de mal com a vida.
Pobreza também passou a caminhar junto com limpeza, pois tem muita gente que adora dizer que ‘é pobre, mas limpinha’.
Pobreza só não dá lucro ao pobre, mas é sinônimo de audiência para os ricos.





