quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Uma nova geração de mulher – capítulo 1

Ela jura que o ama. Mas, não se deu conta ainda que sequer ama a si mesma. Carece de amor próprio e autoestima. Não sabe se valorizar como ser humano. Mas, por acreditar que mais cedo ou mais tarde ele poderia voltar para casa, sujeitou-se a trocar de papel. Deixou de ser a esposa para tornar-se a amante, a outra, a concubina, a número 2, a “puta” dele. Eis a mulher pós-moderna, uma nova geração criada pelo tempo.

Ela resolveu converter-se em objeto do ex-marido para pagar com a mesma moeda o que a ex-amante – agora esposa – a fez no passado. “Bala trocada não dói”, diz um ditado. Ela viverá sempre com medo e terá de se contentar com o pouco de amor que a sobrar. Ela deveria entender de uma vez por todas que ele não é o homem ideal: foi capaz de trai-la com outra e agora engana a rival com ela mesma.

Por trás desse “amor” todo pode existir um jogo de interesses no qual o útil e o agradável se unem: carência e falta de dinheiro. Já que, em certos casos, o ex-marido abandona suas responsabilidades com a antiga família, a qual ele tenta se desquitar também, inclusive com os filhos, a depender do caso.

Essa nova mulher, sem generalizar, chega a usar os filhos para justificar uma reaproximação com quem lhe virou as costas, deu um pontapé na bunda, no sentido figurado da coisa.

É o tipo de mulher que parece não ser mais tão exigente e não ligar para a exclusividade. Deixa o ciúme de lado e aceita pacientemente integrar-se a um triângulo amoroso. Entretanto, e no fundo, ela acha que conseguirá com o tempo contornar a situação e dar uma volta no (ex)marido, quando é ele quem o faz.

A questão aqui não é a comparação da liberdade sexual entre mulher e homem. Até porque cada um é dono do próprio nariz. No entanto, sinalizar para uma possível inversão no status do relacionamento. Se ela não se respeita, ele tampouco a vê com respeito.

A modernidade também forjou outro tipo de mulher: a que vê graça em vingar-se do mesmo modo, pondo-o um par de chifres. Por mais que isso seja uma prática antiga, aquela outra mulher parecia ser mais discreta, não costumava assumir tal postura perante os amigos como a de hoje, isto é, expor-se em demasia.

“Amélia que era mulher de verdade”. Já dizia a canção. “Amélia” não só aguentava calada os chifres que recebia do marido, como também buscava preservar a sua imagem e o respeito perante o seu meio, sem ter de descer ao nível dele ou da outra.

Em pleno século 21, o divórcio não é mais um problema, e sim uma solução. A mulher de hoje não é mais estigmatizada como a do passado, que tinha de fazer o papel de “Amélia” perante a família, os amigos e a sociedade. Ela pode deixá-lo para buscar outra vez a felicidade. Não que felicidade seja sinônimo de ter alguém, porque em determinados casos é melhor estar só do que mal acompanhado(a). Todavia, a mulher moderna e a pós-moderna podem fazer escolhas que outrora não lhe eram permitidas.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Esperanças e Enganos

Imagem: Free Images / Uso gratuito / Reprodução
Narrador:  _Mas, fulano (a), por que você não se casa logo no papel (civil)???
Fulano(a): _Eu, não, bobagem. Estou bem assim!!!, respondeu.

Narrador: _Mas, beltrano(a), por que você não se casa logo no papel???”
Beltrano(a): _Ah, depois eu vejo isso. Vou falar com meu/minha marido/esposa, tangenciou beltrano(a).

Narrador: _Mas, sicrano(a), por que você não se casa logo no papel???
Sicrano(a): _Eu, não!!! Eu penso um dia me separar. Um silêncio então pairou no ar. Tempo depois, como se nada tivesse acontecido, mudou-se o assunto.

Soa estranho o fato de alguém tentar planejar uma separação conjugal, como se fosse algo a ser marcado na agenda ou no calendário. O pior nisso é ver como certas pessoas preferem enganar-se. Pois, não dá para chamar isso de esperança. Nadam em suas ilusões para não afundarem em tristeza, depressão, arrependimento e desgosto. Várias delas querem acreditar que um dia terão a chance de dar um pontapé na 'bunda' do outro e levantarem o dedo médio. Só que em vez de realmente se prepararem, envolvem-se e comprometem-se mais no relacionamento – que, com o tempo, deixa de ser de corpo e alma para ser apenas de corpo –, ao arranjar filhos, por exemplo. Embora filhos não segurem marido ou esposa, ainda assim, são capazes de influenciar certas uniões estáveis, principalmente, se a família não tiver boas condições financeiras, uma das partes estiver desempregada ou se morar de aluguel. Há quem prefira viver um relacionamento 'merda', mas de bucho cheio, do que passar apertos.

A relação deixa de ser de amor para ser de necessidade, conveniência e de mero parasitismo ou simbiose. No parasitismo, uma das partes se torna dependente da outra, enquanto na simbiose, há uma espécie de troca de favores. Os dois sabem que viveriam piores sem o outro. Além de possíveis vantagens e/ou segurança financeira, teto e comida, a 'união' pode trazer benefícios como sexo com compromisso – não vai ter de ficar procurando por aí – e alguém para realizar tarefas domésticas, tais como: lavar, passar, cozinhar, trocar lâmpada e o botijão de gás etc. Você, leitor(a), pode até discordar e afirmar que hoje em dia é mais fácil pagar uma empregada doméstica, porque sai mais barato. Contudo, a necessidade de um(a) parceiro(a) para receber o outro quando chega do trabalho, conversar, sair e ficar entre quatro paredes – na fuga contínua da solidão – é mais forte e instintiva. Nesse caso, o relacionamento deixa de um ser compromisso com o outro para se tornar um compromisso consigo mesmo(a).

Dizem que 'quem espera sempre alcança', como também que 'a esperança é a última que morre'. A sutil diferença entre a esperança e o engano é que a primeira faz-se por onde acontecer. Já a segunda, espera-se que caia do céu. Não passa de uma vontade latente, silenciosa. Uma fuga não declarada da realidade. Uma utopia. Um ritual de autoengano e/ou uma distração do eu para o suposto bem do próprio eu.

Em pleno século 21, muita gente ainda inventa amarras para si mesmo(a), quando a própria evolução da sociedade ensinou a se desprender de dogmas religiosos e do preconceito do divórcio. Só que a realidade em questão é outra, conforme citado acima. Trata-se de um relacionamento de aparências, não tácito, isto é, quando uma ou as duas partes não se dão conta disso.

Apesar de o sentido lógico do casamento ser o de comunicar publicamente que se dorme oficialmente com outra pessoa, existem leis que garantem os mesmos direitos para os casais que não se uniram no civil e/ou no religioso, apenas nos laços tácitos entre quatro paredes e uma porta. Mesmo assim, e ao que parece, não casar-se passa uma espécie de tranquilidade e de segurança para os que querem sentir-se livres ou que veem o matrimônio como algemas. Certos indivíduos acham que não estarão 'presos' a ninguém. Pois, se realmente tiverem a esperança de um dia se separar, não haveria impedimento legal. É como o indivíduo que não tem interesse de crescer em determinada empresa, porque espera mudar logo de emprego.

Não significa que uma pessoa entra num relacionamento já com a intenção de se separar. Apenas que o outro não era como se supunha. Os defeitos se sobrepuseram às qualidades. Perdeu-se o romantismo e o encanto. Já não há mais intenção de agradar. Não há mais personagem nem necessidade de fingir. Afinal, o prêmio foi conquistado. 

Tem gente que confunde a necessidade de transar com a de morar com alguém. Não entende que um e outro são completamente diferentes. E na percepção da realidade atual, deixam de ser complementares e/ou uma obrigatória consequência. É como dizer que se confunde sexo com amor ou vice-versa. Há também os que optam juntar os 'trapinhos', porque querem fugir da vigilância dos pais, que limitam suas saídas, rotinas e horários. Mal sabem que o que os esperam com as imposições do relacionamento.

Tem gente que acha que não seria capaz de amar de novo. Há quem pense que está velho(a) demais para voltar a amar. Essas podem algumas das desculpas dadas para não findar o que já acabou, para não sair de uma aparente zona de conforto ou status. O medo da perda pode ser maior do que o que se poderia ganhar com ela. Tem indivíduo que simplesmente deixou de se amar.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Amante por Necessidade

Imagem: Vector Open Stock / Uso gratuito / Arte: Mundo Dimais


Há quem acredite que o principal motivo para que uma pessoa arranje um(a) amante seja por prazer. Mas, eu prefiro acreditar que seja por necessidade. Afinal de contas, o prazer é uma questão de necessidade, que vai além do simples fato de o sexo estar na base da famosa pirâmide de Maslow. É tácito que o indivíduo em questão busca uma terceira pessoa, porque lhe falta algo na cama, isto é, não se sente realizado. O(a) companheiro(a) oficial – aquele(a) apresentado(a) à sociedade – não consegue ser 99,9%. O tempo passa e o ser humano fica mais experiente e exigente.

Existem pessoas que sentem medo ou vergonha de pedir ao(à) parceiro(a) certas coisas, pelo que se poderia pensar sobre, e comprometer o relacionamento. Então, na pior das hipóteses, opta-se por um(a) estranho(a), com quem se poderia ser livre temporariamente e que, provavelmente, busca o mesmo. Não bastasse o fato de esfregar-se com um ser desconhecido – pouco se sabe de onde é, se é saudável ou não –, esse(a) amante se torna uma espécie de psicólogo(a), de ouvinte para lamentos e insatisfações. Em triângulos amorosos imperam o imediatismo e os ímpetos, sem toda aquela formalidade como num relacionamento sério para começar a estar entre quatro paredes. Rompem-se os tabus morais.

Trair pode ser um ato de necessidade, de colocar-se em risco constante, de poder enganar e não ser descoberto(a). Quem procura um(a) amante procura viver uma vida dupla com o seu eu, de sair da mesmice. Veja, por exemplo, um casal evangélico, cuja esposa não aceita fazer sexo oral e/ou anal. O marido, na necessidade de tal completude, pode caçar alguém que o satisfaça, mas sem largar a esposa. Poderia ser também o inverso: a mulher ter certos desejos e sentir vergonha de pedi-lo com receio de estragar o casamento, de que ele a visse como uma “puta”.

Há ainda casos de maridos “héteros”, que em vez de arranjarem uma amante, preferem manter relacionamento com homens, gays, bissexuais, travestis ou coisas que os valham. Pois, em suas mentes distorcidas, não estariam traindo a esposa, por supor que traição é apenas entre homem e mulher.

O que poderia levar uma mulher a trair um marido??? Ele pensa mais em si do que nela??? Ele já não tem mais o mesmo vigor do passado ou a mesma beleza física, por exemplo??? Há quem tache de total safadeza, nada mais.

Tem gente que arranja amante por dinheiro, para ter uma vida mais confortável. Grana também é necessidade. Ninguém se sujeita unir o útil ao agradável se não for pela “autossobrevivência”. Fica uma intrigante pergunta: essa pessoa não estaria se vendendo???

Existem cônjuges que fecham os olhos para os chifres que levam. Seria por amor? Necessidade? Desamor? No mínimo, falta de amor-próprio!!! Tem gente que prefere ter alguém pela metade do que não tê-lo(a). É a necessidade de suprir uma tangível solidão, mesmo quando o(a) outro(a) não passa de um encosto em sua vida. “Segurança” é um sentimento de necessidade, ainda mais quando os anos já se passaram e o indivíduo acha que está velho demais para começar do zero, do um, do dois...

Em outro caso, a pessoa se separa do(a) cônjuge para viver esse conto de f... (palavra parecida com “fadas”), porém o(a) amante não faz o mesmo. Trocou o certo para viver na esperança do duvidoso. Às vezes, a necessidade de sentir-se feliz pode levar o indivíduo a cometer besteiras.

Acima de tudo, subentende-se que a pessoa que trai, o faz por uma questão de sentir-se em liberdade, de poder fazer o que lhe der na telha. Mas, verdade seja dita: a traição pode ser um círculo vicioso. Quem a comete uma vez, pode fazê-la sempre por duas questões: o(a) outro(a) não descobriu ou se houver um perdão rápido demais. O traidor não sentiu na pele o desespero da perda, portanto, não se sentiu ameaçado, vulnerável.

sábado, 26 de julho de 2014

O nome do problema – capítulo 1

Marido para a mulher: “Sua piranha, puta, vagabunda, porca, safada...”

Ou o oposto: a mulher para o marido: “Seu maconheiro, viciado, cachaceiro, safado, corno, baitola...”.

Quando um relacionamento chega a esse nível, com ofensas pesadas, nota-se que o respeito já não existe mais. Dependendo da ótica, isso poderia ser considerado pior do que uns tapas, por ressaltar nos instantes de raiva o que de fato se pensa sobre o(a) parceiro(a).

Mas, o que faz com que o outro aguente tudo calado, sem no mínimo pestanejar??? Medo??? Sensação de culpa por supostos erros do passado que podem ou não já terem vindo à tona??? É difícil acreditar que seja por amor quando falta amor-próprio!!! Talvez, um receio de se criar mais conflito, perder numa briga (isso combina mais com a mulher) ou comodismo. Tem gente que suporta certas coisas por causa de uma casa, bens materiais ou porque não tem disposição para trabalhar e conquistar a independência financeira, mesmo que tardiamente. Foi-se o tempo que as pessoas aturavam um cônjuge devido a filhos. Hoje em dia, estes não prendem mais ninguém. A não ser que se queira usá-los como desculpa. Ao longo do tempo, os conceitos de moralidade e orgulho próprio mudaram, pelo menos na sociedade ocidental, onde a mulher conquista o seu espaço e deixa de ser vista como uma cidadã de segunda classe.

Tem gente que não se separa por comodismo... sexual. Acha que aguentar o(a) parceiro(a) como ele(a) é, significa estar no controle. No entanto, o pior de tudo é quando se escuta alguém dizer que não se separa por estar velho(a) demais e que não teria facilidade para encontrar um novo amor, por exemplo. Troca o desejo à felicidade por estabilidade financeira, e tenta dar um caráter sentimental para tal justificativa.

Fica difícil sentir pena de alguém assim, que o máximo que faz é sentir pena de si mesmo(a), lamentando-se por todos os lados que a vida é uma 'merda', que tudo está ruim e por aí vai... Muitos indivíduos se perguntam qual o problema com eles. Às vezes, o problema seja eles mesmos, todas as suas ações e inércias. Não fazer nada também pode gerar consequências!!!

O respeito é como um copo de vidro. Só se quebra uma vez. Cujos cacos não podem ser mais colados. Quando o mesmo é destruído, o desrespeito passa a ser uma constante. Nem os momentos entre quatro paredes, quando tudo parece estar bem ou em paz, são capazes de resgatá-los.

O desrespeito fica mais notório quando passa a ser feito publicamente, isto é, na presença de familiares, amigos e/ou até desconhecidos. Certas pessoas não têm senso de ridículo e parecem ter uma ânsia de aparecer!!! Ou o faz por achar que o outro merece passar por um vexame para ver se “acorda” para a realidade. Está claro que a coisa não está mais sob controle como se pensava, mesmo que não haja uns tabefes. Um suposto descontentamento ou drama conjugal, ou quem sabe familiar, está sendo exteriorizado e compartilhado com quem quer que seja e de maneira indiscriminada.

Conviver com que não lhe respeita é, também, não respeitar-se. O indivíduo quando se sujeita a tolerar certos abusos está tacitamente consentido. É aquele velho e conhecido ditado: 'Quem cala, consente'. Portanto, deixa de ser vítima e se torna culpado. Hoje em dia, ninguém é obrigado a viver com quem não quer e não gosta. Pode até ser que por razões econômicas, faltem saídas à outra parte. Mas, seu dever moral é tentar se impor e exigir o respeito em nome de uma convivência pacífica. Ou então buscar uma saída, literalmente falando.

Apesar de o texto ter focado muito a parte de rompimento, não é este o principal objetivo. E sim, chamar atenção para o rompimento que o indivíduo precisa romper com certos costumes e práticas, para tentar seguir em frente e se valorizar como ser humano.

sábado, 21 de junho de 2014

Fetichismo: a materialização da fé

Quando se estuda a História do Homem, aprende-se, em Antropologia ou Sociologia, por exemplo, que no começo o homem endeusava os animais. Pois, os de uma mesma espécie eram muito parecidos entre si. O que teria levado a crer que eles seriam, teoricamente, eternos, não morriam, à diferença do homem, cujos contrastes eram mais perceptíveis. Daí, talvez, o prelúdio de uma religião, e, consequentemente, do fetichismo.

Antes de continuar, é importante explicar o que é fetichismo. De acordo com o Dicionário Michaelis de Língua Portuguesa, é: “Objeto de reverência ou devoção extrema ou irracional”. Em um resumo prático, é a materialização da fé.

A Bíblia, o Alcorão, o Livro dos Vedas, um terço, um amuleto, uma divindade de gesso (pessoa ou animal), uma pedra preciosa ou semipreciosa (ambas com valores místicos), um baralho de tarô ou um jogo de runas, por exemplo, podem ser considerados fetiches. Pois, são objetos com valores sagrados para determinadas pessoas ou grupos, cujo significado costuma ser comum.

“Não terás outros deuses além de mim”; “Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra”, está escrito em Êxodo, capítulo 20, versículos 3 e 4.

“Não façam ídolos, nem imagens, nem colunas sagradas para vocês, e não coloquem nenhuma pedra esculpida em sua terra para curvar-se diante dela. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês”, continua Levítico, capítulo 26, versículo 1.

Embora a Bíblia e a divindade sejam as mesmas para católicos e evangélicos, com pequenas diferenças na escrita e/ou em livros, os primeiros têm santos para representar a fé, enquanto os segundos, os rechaçam. Para estes últimos, a Virgem Maria seria apenas a mãe de Jesus, não uma santa ou Nossa Senhora, por exemplo.

Materializar a fé é manifestá-la, o que acaba funcionando como um motor para alimentar a esperança de seus adeptos. Orações e rezas específicas, como o Pai Nosso e a Ave-Maria, além simpatias e feitiços e a utilização de pedras para limpeza cármica, são expressões de materialização da crença. A fé sai do universo abstrato para ganhar força e poder no mundo real.

Existem casos específicos de materialização da fé como se pode ver por aí. Tem gente que vira a imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo, para arranjar um amor; tem gente que joga moedinhas em uma estátua de Buda, num pratinho com arroz, para conseguir dinheiro; como também tem gente que joga dinheiro em alguma fonte para realizar um desejo; ou então carrega a nota de um dólar ou lentilhas na carteira para nunca faltar grana; tem até os que se casam com plantas e/ou animais para espantar os maus espíritos ou retirar o que se acredita ser uma maldição de família. Enfim, cada um com as suas manias!!!

Com os adventos da tal teoria da prosperidade, o neocristianismo, por exemplo, está carregado de simbolismos: virou moda “abençoar”, “benzer”, “ungir” – dá tudo no mesmo. A diferença é que cada doutrina prefere um termo – uma vassoura, um tijolinho, a meia do pastor, um copo d'água, um azeite, um perfume com o intuito de atrair um amor etc. Vale lembrar que esses fetiches costumam ser pagos pelos fiéis. Não se pode deixar de incluir a água benta nessa lista de fetiches.

Em certos casos, é o líder religioso que se torna o próprio fetiche. Sem generalizar, alguns acabam se tornando uma espécie de milagreiro, de deidade perante suas “ovelhas”. Em vez de corrigirem tal interpretação, há quem prefira alimentá-la para se beneficiar da fidelidade e do dízimo das mesmas. O máximo que fazem é sair pela tangente e alegar que estão sendo “usados” por Deus para realizar uma obra que ninguém vê, ninguém sabe, cujos detalhes são um mistério, assim como a fé.

A fé pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Quando alguém reza/ora ou faz algum ritual para que outra pessoa seja curada ou salva, é para o bem. Mas, quando se o faz para que o outro morra ou se prejudique, está claro que é para o mal. Fé é isso. Não há certo ou errado, é tácita e livre. Cada um segue os princípios que achar mais apropriado.

Contudo, deve-se concluir que o fetichismo é muito mais do que uma mania ou uma segurança para o crente (quem crê é crente, independente de religião). É um instrumento “divinizado” na luta contra o mal e contra as adversidades, da mesma forma que a cruz e a água benta são usadas em filmes contra vampiros, por exemplo, ou como os rituais de exorcismo para expulsar demônios, maus espíritos e renovar a fé das pessoas. E para terminar, o fetichismo pode ser o vínculo entre o material e o espiritual ou mais precisamente entre o homem e sua divindade.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Webesteira: o mau uso das redes sociais – capítulo 3

Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, foi espancada até a morte, no Guarujá (SP), no último dia 3 de maio, por causa de um boato em redes sociais de que seria uma suposta sequestradora de crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. Para resumir a 'ópera': ela era inocente. E segundo parece, também não existiam registros de menores desaparecidos na região.

De acordo com o Dicionário Michaelis de Língua Portuguesa, boato é: “sm (lat boatu) 1 Notícia anônima, sem confirmação, que corre publicamente. 2 Balela”. Complementando: um boato pode ser verdadeiro ou não. Todavia, Mundo Dimais oferece um significado mais adequado ao tema abordado: trata-se de um 'ruído' de comunicação entre o emissor e o receptor de uma mensagem oriundo de um mau entendimento e que se propaga. A principal característica desse fenômeno do 'disse me disse' está na interpretação que se dá e ao não checar a veracidade dos dados e não questioná-los. O receptor aceita passivamente o que ouviu e se torna um ser ativo na difusão.

Fabiane também não morreu porque uma jornalista disse ser 'compreensível' a ação de pessoas que praticam a justiça com as próprias mãos. Ela foi vítima da ignorância e de uma sociedade cansada de tantas injustiças, que se 'vilaniza' ao querer converter os demais em bodes expiatórios para expiar os pecados de toda uma existência. Embora hajam pessoas querendo culpar indiretamente a Rachel Sheherazade pelo comentário que fez no 'SBT Brasil', no último dia 4 de fevereiro, sobre um jovem negro amarrado ao poste que apanhou de 'justiceiros', essas mesmas pessoas são incapazes de aceitar que se autoflagelam ao querer colocar o bandido como vítima e esta, o oposto. E quem acreditar nisso estará sendo refém dessas mesmas pessoas que não têm respostas para dar à sociedade contra a violência, a corrupção, entre tantos males sociais, e buscam no ataque a melhor maneira de se defenderem. Em vez de os assassinos de Fabiane serem criticados, optou-se por um linchamento moral à âncora de TV. Pura inversão de valores!!!

Fabiane não foi morta por 'justiceiros', mas por bandidos que fazem seus próprios juízos e executam as punições, e que confundem vingança com justiça. Batman era justiceiro, assim como o Homem-Aranha e tantos outros heróis. É importante saber distinguir um do outro. Porque esses seres dos quadrinhos costumam levar os vilões para a prisão. E não foi o que aconteceu fora dos gibis.

Apenas por uma questão de honestidade intelectual: vale-se do clichê – algo chato e repetitivo – de que nas periferias, o tráfico atua como 'polícia', 'legisla' e 'julga' da forma que achar mais conveniente. Foi assim, é assim e continua sendo. E ninguém se opõe. A culpa não pode ser dos meios de comunicação ou das redes sociais. Muito menos de uma apresentadora de telejornal!!!

Fabiane, assim como tantas outras pessoas, talvez inocentes, foi transformada de vítima a ré de um 'fundamentalismo brasileiro', que não concede o benefício da dúvida, que bate primeiro para pedir desculpas depois.

Já não é de hoje que mídia e redes sociais disputam não oficialmente o título de quarto poder. A primeira surgiu muito antes da segunda, é detentora de tal apelido e, atualmente, ambas se complementam até certo ponto. Entretanto, o que se tem visto por aí é que a segunda tenta se sobrepor à primeira e ao que tudo implica. Blogs e perfis em redes sociais têm se aproveitado de erros do passado de grandes meios de comunicação – que apoiaram a Ditadura Militar (1964-1985) – para culpá-los por toda a eternidade e demonizá-los. Essas mídias alternativas tentam se mostrar como se fossem mais verdadeiras do que a grande imprensa, que está realmente preparada com ética e responsabilidade para cumprir o seu labor social: o de levar informação.

Uma sutil diferença entre a imprensa oficial e a alternativa é que a primeira defende os próprios interesses, enquanto a segunda, em certas ocasiões, é paga – até mesmo com dinheiro público – para defender os dos outros. Você nunca verá o jornalismo oficial divulgar notícias no anonimato, mas o alternativo, talvez. O que mais se tem visto por aí é perfis e blogs anônimos ou com pseudônimos para atacar A ou B, comumente usados para fins politicamente sórdidos. Observa-se uma espécie de desonestidade intelectual. É importante frisar que não há nada contra essas mídias alternativas, e que também não se pode generalizá-las. Até porque várias delas têm contribuído com o processo de globalização da informação e, em determinados casos, até feito concorrência aos meios tradicionais. Com isso, obrigando-os a trabalhar mais para oferecer melhores serviços e coberturas noticiosas. Mas, não se pode deixar de enfatizar que essas mídias secundárias redescobriram a 'receita' que o velho jornalismo deixou de lado: falam aquilo que os espectadores querem ouvir e/ou ver.

Descobriu-se nas redes sociais como criar campanhas de descrédito por meio da incredulidade e da indignação popular. Só que aí o usuário acaba sendo vítima – melhor dizendo: manipulado – ao passar a crer sem verificar e/ou contestar. Foi assim que Fabiane morreu... vítima de uma 'webesteira', neologismo que este autor definiu como o mau uso das redes sociais. A expressão é formada pelas palavras web + besteira.

Se certas pessoas realmente tivessem noção do poder que a web tem, jamais a usariam em vão: ela pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. É como diz aquele velho ditado: “as palavras são levadas pelo vento”. Comentou este autor no primeiro capítulo desta série de textos.

Infelizmente, a barbárie cometida contra Fabiane não servirá de lição à grande parte dos 61,2 milhões de brasileiros que utilizam o Facebook (dados são de fevereiro de 2014 do portal Uol). Muitos, já que não se pode generalizá-los, continuarão postando bobagens e, sem ter consciência, difamando os outros. É bom ter em mente que mesmo que tal acusação ou boato tenha sido feito por outra pessoa, quem o replica sem provas também tem coautoria.


Leia também:

terça-feira, 18 de março de 2014

A Cultura do Apego

Desde que Você vai crescendo e se entendendo melhor por gente, aprende que precisa se desapegar aos bens materiais para se tornar um ser humano melhor, ao menos espiritualmente. O Cristianismo prega o mesmo, em Mateus 19: 16-23, quando Jesus disse a um jovem rico que vendesse tudo o que tinha e desse o dinheiro aos pobres, para que pudesse ter um tesouro no Céu. O Budismo, em suas Quatro Verdades Nobres, reforça o desapego como forma de eliminar a dor e o sofrimento. A lenda budista ressalta que o príncipe Sidarta Gautama teria renunciado à riqueza de seu palácio, por exemplo.

Mas a vida é cheia de apegos. O indivíduo se apega à família, aos amigos, ao emprego, ao dinheiro, a bens materiais, à religião, à ideologia, ao passado, ao vício, aos costumes, e acima de tudo a si próprio pelo orgulho.

Nem Deus escapou do apego que sentia pelos homens, quando resolveu dar uma segunda chance à humanidade após a insistência de Noé. Sua afeição teria começado muito antes, quando o ordenou que construísse uma arca. E sua primeira decepção ocorreu, quando os fictícios personagens de Gênese – Adão e Eva – o desobedeceram ao comer do fruto proibido. Quanto maior for o apego, maior será a decepção em caso de traição.

É por meio do apego que se constrói uma identidade. O que faz com que alguém seja tachado de egoísta ou sovino é sua atração ao dinheiro e aos bens materiais, por exemplo. No entanto, sem grana ninguém paga as contas. Vivemos em uma sociedade materialista e consumista e que o dinheiro é moeda de sobrevivência.

Pode-se dizer que, em certos casos, o apego funciona como uma espécie de motor e de esperança para que se siga em frente. A pessoa, quando nasce pobre, que prospera na vida financeira e que faz uma faculdade tem a família como motivação. É por ela, para dar uma vida melhor, que se está lutando. A necessidade pode induzir alguém a fazer/cometer coisas que jamais imaginou que fosse capaz. A primeira delas seria o rompimento do orgulho e forçá-lo a adotar uma postura mais humilde. É claro que isso depende de quem seja.

Há casos contrários, o que poderia tornar uma prisão sem algemas, como o de uma pessoa que no passado chegou a ser uma celebridade, mas no atual momento estaria em suposta decadência. Não tem trabalhos no ramo, porém o orgulho e o 'autopreconceito' não a permitem enxergar que deveria investir em outra área, que se trabalhe em outra função. O apego pode fazer com que se “dê murros em ponta de faca”.

Um exemplo clássico é o do vício a drogas e ao álcool. O indivíduo tenta “afogar” as mágoas, mas acaba se ferindo e magoando muito mais os outros. O vício e a solidão se tornam companheiros.

Um ladrão se apega à prática do roubo e/ou do furto por uma visão ilusória, errônea e deturpada de que seja o modo mais fácil de se conseguir dinheiro sem a necessidade de trabalhar.

Quando se dá especial valor a um objeto pertencente ou presenteado por determinada pessoa, materializa-se o apreço por ela.

Quando uma pessoa morre, a dor da perda só se torna insuportável, porque houve o apego. A doença, a largo prazo, serve para que os demais tentem se acostumar com a ideia do adeus. Essa é outra característica do apego: criar laços. O amor nada mais é do que uma manifestação de apego.

As manias também podem ser consideradas formas de apego. É comum estarmos na rua, no ônibus ou no cinema e ficarmos mexendo no celular para ver se tem alguma mensagem. Quantas pessoas conseguem dormir antes da meia-noite ou uma da manhã??? Muitas das que não conseguem, provavelmente, devem estar nas redes sociais. No começo era o MSN, depois, o Orkut. E agora, o Facebook. O sono não vem e Você culpa a insônia, não ao seu hábito.

A satisfação é uma das modalidades de apego. A pessoa quer se sentir bem, feliz, animada e realizada. O sexo – tido como uma materialização do amor – é uma forma de apego à carne e às sensações. E vicia...

Por incrível que pareça, tem gente até que se acostuma com a dor. É o caso de certas esposas que sentem saudades do marido, mesmo que ele, quando casados, não valesse nada e a surrasse diariamente. As pessoas são capazes de se apegar à rotina e à monotonia, porque pensam que podem controlar e/ou conviver da forma como as coisas são e/ou estão.

Por mais que o ser humano almeje uma liberdade sem limites, esta jamais acontecerá. Pois, está envolvido em amarras invisíveis, a começar por essa ânsia ideológica. A política é um bom exemplo. Direita e esquerda protagonizam estereótipos e inventam valores para adjetivar pessoas. Em segundo, a religião. Com isso, deixando de viver a própria filosofia para compactuar com a dos demais, a de alguém mentalmente mais forte e capaz de induzir os outros a acreditarem que seu estilo é o correto. Uma reza ou oração pode ser o canal entre o fiel e sua divindade na busca da força interior que tanto precisa para seguir em frente. Existe esse outro lado.

De certa maneira, o desapego é visto como uma libertação do ser humano. Talvez, fosse possível dizer que há nisso um sentimento de indiferença. Mas, é por meio desta que se pode chegar à introspecção e, consequentemente, a uma racionalidade. No fundo, o desapego nada mais é do que uma demonstração de como lidar com a tristeza e com o fracasso. Porque só é possível se apegar a algo que se tem ou já teve.

Apego e desapego fazem parte de um ciclo natural de evolução ou regressão de um indivíduo, tornando-o melhor ou pior, a depender do ponto de vista.

domingo, 9 de março de 2014

Texto de Mundo Dimais é usado em avaliação do Ensino Médio pela Secretaria de Educação de MG

Nem sempre a vida nos dá os sinais que queremos a respeito do nosso trabalho, o que fica difícil saber se estamos indo bem ou não. Mas, algumas vezes, ela nos surpreende. MUNDO DIMAIS teve uma feliz surpresa em saber que seu texto “Webesteira: o mau uso das redes sociais – capítulo 1” foi utilizado em uma avaliação do Ensino Médio pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, em 2012.

A Secretaria elaborou nove questões, ao utilizar alguns parágrafos para salientar o futuro neologismo “webesteira” e a importância da internet na sociedade contemporânea. O material foi usado no projeto piloto “Reinventando o Ensino Médio”, para a área de Comunicação Aplicada, em 11 escolas da região.

Como o próprio título diz, o texto fala sobre certas postagens consideradas inúteis na internet, em especial no Facebook, Twitter e outras mídias. Todos os textos são de autoria deste jornalista que lhe escreve.

MUNDO DIMAIS já teve publicações utilizadas em foros na internet como pergunta/tema e/ou melhor resposta. Todo o material pode ser copiado e usado gratuitamente, desde que a fonte seja citada.

MUNDO DIMAIS tem seis anos. Desde então, vem tentando promover por meio de seus textos uma análise crítica sobre a nossa sociedade com o uso de temas comuns a todos: amor, sexualidade, espiritualidade, autoajuda, comunicação, entre outros.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Antes do Casamento

Casamento nada mais é do que uma maneira de dizer publicamente que se está 'dormindo' com alguém.

Até certa época, o sexo era considerado o último passo em um relacionamento amoroso. Agora, com os adventos da modernidade, do liberalismo sexual e da moralidade do século 21, tornou-se um dos primeiros. O refrão das mulheres de antigamente era: “Sexo só depois do casamento!!!” Embora os homens – que nunca mudaram – sempre quisessem chegar no 'finalmente', era instigante e reconfortante saber que aquela moça com quem namorava ainda se mantinha 'donzela'. Isso servia para aumentar seu apreço por ela e a convicção de que ela era de 'família'. Em uma linguagem mais prática: era a mulher certa para levar para o altar. No entanto, essa bonita admiração pelos valores morais nunca os impediu de que fossem à caça das fáceis – popularmente chamadas de 'putas' – para saciar seus desejos carnais. Afinal, eles são homens e livres para... Você sabe!!!

Antigamente, se 'comesse' tinha que casar; atualmente, nem tanto. Uma mulher pode ser considerada ainda virgem desde que não engravide. Enquanto isso não acontecer, não se tem provas  de que já não é mais. Tem pais ainda tapados em relação a isso ou que se fazem...

Os supracitados adventos serviram para reorganizar os padrões sociais. E hoje, sexo antes do casamento é quase que uma obrigação, pelo menos nas culturas ocidentais. Em um namoro, tal grau de intimidade pode ocorrer entre os três a seis primeiros meses, por exemplo. A coisa está tão avançada que, em determinados casos, são elas que tomam a iniciativa de contar ao parceiro o que querem.

Nem mesmo as religiões, em certos lugares, conseguiram impedir a prática antecipada por parte de seus adeptos. Não é muito difícil ver por aí gente se casando na terça-feira e revelar, no domingo, que está de barriga. Essa é uma maneira de minimizar ou evitar discriminação em seu meio, mesmo que se separem logo após.

Para certas pessoas, o sexo antes do casamento serve de motor para tentar 'prender' alguém pela 'cama'; para outras, um instrumento de valorização de si mesmo ante o(a) parceiro(a). É como se determinado(a) alguém só tivesse o corpo como qualidade, numa tentativa desesperada de se sentir amado(a) e reconhecido(a). Em um sentido mais amplo pode também significar um aprofundamento na relação, sem trocadilhos.

Tem gente que diz que sexo antes do casamento é uma lua de mel antecipada. Você é capaz de descobrir antes de oficializar a união se o indivíduo é bom de cama ou não. Com isso, podendo pular fora enquanto ainda é tempo.

O que poucas pessoas têm noção é que uma relação antes do casamento – namoro e/ou noivado – poderá ser praticamente de igual modo depois. Os mesmos defeitos, ciúmes, 'frescurites' e proibições que já existem serão cada vez mais comuns. Atualmente, o que mais se vê por aí é namorado proibindo a parceira de ter e/ou acessar Facebook, Orkut ou Twitter, de usar roupas curtas e/ou decotadas, de ter certas amizades, de cortar e/ou pintar o cabelo de determinada cor, entre tantas outras coisas. No caso das redes sociais, por exemplo, a desculpa que ela costuma usar ante os conhecidos e até mesmo os pais é que já estaria enojada ou que está deletando o perfil por não ter tempo de ficar toda hora conversando e/ou respondendo os contatos. É claro que isso não é uma generalização!!! Se já está se sentindo dono enquanto está namorando, imagine, então, depois de casados!!! Vale enfatizar que esse tipo de situação costuma ocorrer quando o casal já tem relacionamento sexual ou, mais ainda, se a primeira vez dela foi com ele, o que tacitamente aumenta seu direito de propriedade.

Existem garotas que se sentem prisioneiras, porque os pais tentam controlá-las, e anseiam por uma tal liberdade. Mal sabem que com um matrimônio podem acabar se prendendo mais. O mais cômico é que querem se sentir independentes, mas querem continuar morando com a família e depender do teto, da comida e da grana alheia, muitas vezes sem ajudar com um tostão nas despesas de casa. O mesmo vale para muitos rapazes.

Só para deixar claro, a questão aqui não é o sexo antes ou depois do casamento. E sim, a experiência que se tem nas duas situações e que se repetem, porque não há correções, tampouco os ajustes necessários para que um aceite o outro como é. Como não houve um freio antes, dificilmente se conseguirá depois. Com isso, o arrependimento e o deterioramento da relação tendem a ser frequentes, levando a uma espécie de desgaste.

Casamentos não são contos de fadas. Nunca foram. Acreditar nesse mito é uma das coisas que faz com que a desilusão venha mais depressa, depois que se passa a conhecer melhor os defeitos do(a) parceiro(a) e a ter de conviver com tantas responsabilidades. Antes do casamento, a impressão que se tem da vida é uma; depois, outra. A vida muda completamente. Deixa-se de viver unicamente para si para fazê-lo pelos demais. Ironicamente, antes, o indivíduo vive como os pais querem que viva; depois, passa a ser 'forçado' a viver como o cônjuge quer.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Brasil que não é o que parece

2014 se inicia. Mas, tem coisas que parecem nunca mudar. Aliás, para dizer a verdade, tem coisas que não são o que realmente parecem. Entra ano e sai ano e o que muda é só o numeral. De resto é um (não) “vale a pena ver de novo”.

Vivemos em um país onde os maiores ladrões usam terno e gravata – sem generalizar – e costumam ser chamados de doutores ou de Vossa Excelência. E só vai em cana quem não paga pensão alimentícia.

Vivemos em um Brasil onde adolescente delinquente mata, rouba e estupra e é posto como vítima e é chamado de “menor autor de ato infracional”. Não pode ser ofendido com termos como bandido e marginal, sequer responsabilizado por seus atos. No entanto, pode votar a partir dos 16 anos, fazer filho... Os direitos humanos parecem mais proteger o bandido do que a vítima.

Vivemos em uma terra onde o direito das minorias deixa de ser protegido e passa a ser decidido por um “clubinho” que age em detrimento.

Vivemos em uma nação cuja saúde é caótica. O governo contrata médicos estrangeiros para reforçar o atendimento, mas a assinatura dos mesmos não é válida para que o paciente possa adquirir remédio grátis, tendo o mesmo que pedir o carimbo de um profissional brasileiro para isso.

Vivemos um Brasil onde certas populações de cidades interioranas costumam ser reféns de seus próprios políticos. Não desfrutam de grandes nem bons hospitais, nem tem muitos meios de se locomover, tendo que depender da “gentileza” dos mesmos para conseguir um carro e ir até uma cidade grande, por exemplo. É o neocoronelismo.

Vivemos em um país no qual o tolo pensa ser esperto e o esperto finge-se de tonto. Pessoas protestam por causa de um time de futebol ou de algum caso particular, mas não reivindicam seus direitos. Pura inversão de valores!!!

Vivemos em um lugar onde o gigante não se dá conta de seu tamanho. Às vezes sabe que o é, mas não costuma agir com a maturidade que deveria ter. As manifestações de 2013 custaram 20 centavos. Foi preciso doer no bolso – apesar de pouco – para que as pessoas abandonassem a rotina, a monotonia, a inércia e o estado de esquizofrenia e fossem às ruas protestar. Aqui continua sendo o país do futebol, do carnaval e do sexo. Apenas!!!

Vivemos em um Brasil em que as pessoas se vendem mais pelo interesse dos outros do que pelos próprios e aceitam ser subornadas em campanha eleitoral, por exemplo. Muitas sequer lembram em quem votaram depois.

Vivemos em uma nação onde o governo tem um monte de “filhos” parasitas. Em vez de ensiná-los a pescar, prefere dar o peixe e fomenta a prática do assistencialismo barato com a desculpa de estar combatendo a pobreza.

Vivemos em um lugar onde a polícia costuma tratar ricos e pobres de maneiras diferentes. Os primeiros conhecem seus direitos, enquanto os segundos fingem que sabem, porém não têm coragem para indagar qualquer suposta violação.

Vivemos em um país onde criminosos disputam com o Estado o espaço. Bandidos costumam sobretaxar o preço do gás, da água, transportes e outros produtos como forma de explorar o morador da favela e assim garantir sua fonte de renda.

Vivemos em uma terra em que socialistas são ricos e pobres costumam ser capitalistas. No fundo, todos ou quase todos acabam se rendendo à sociedade do consumo.

Vivemos em um Brasil onde “deus” se tornou materialista, empresário, cobra caro por seus favores, mas que tira o corpo fora quando o fiel não tem sua graça alcançada. É a religião sendo convertida em um grande balcão de negócios, sem generalizar também. Certos pastores se tornam curandeiros, médicos, xamãs, de tudo um pouco.

Vivemos em um país onde “nós pega o peixe”; onde 16-8=6, e não 8; onde 10-7=4, e não 3. E por aí vai... porque aqui pode!!! Se não for por bem, dá-se um “jeitinho”.

Vivemos em um lugar onde 40 graus tem a sensação térmica de 50, meia-noite é às 23h e onde janeiro é em dezembro.

Enfim, nada é o que parece ser.

Neste 1° de janeiro, MUNDO DIMAIS completa 6 anos. Ao invés de este que lhes escreve preparar seu tradicional texto de agradecimento, optou por este que Você está lendo, já que o objetivo do site é propor uma reflexão acerca do cotidiano em que enfrentamos. Bom, este é o jeito de ser desta página.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Real Time Web Analytics